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Macron declara a morte do multilateralismo. G7 sem comunicado comum pela primeira vez – Mundo
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Desde que Donald Trump chegou à Casa Branca que o multilateralismo tem vindo a deteriorar-se. Após episódios de fratura entre os EUA e as outras potências mundiais no G20 ou no G7, o presidente francês, Emmanuel Macron, o anfitrião desta edição do G7, decidiu acabar com o comunicado conjunto. Macron quer evitar uma reedição do que aconteceu na cimeira do G7 no Canadá no ano passado. Nessa altura, após a divulgação do comunicado conjunto saído a ferros, Trump saiu mais cedo do encontro, distanciou-se do texto e acusou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, de ser “desonesto”.
No entanto, ontem Macron foi mais longe e anunciou que não haverá o clássico comunicado conjunto, explicando que tal se deve a uma “crise muito profunda da democracia”. Há uma “crise do capitalismo e da desigualdade”, declarou. “Ninguém lê os comunicados, sejamos honestos”, disse Macron, citado pelo Financial Times, argumentando que nos últimos tempos só servem para “detetar desentendimentos”.
Será a primeira vez que tal acontecerá desde que estes encontros começaram em 1975 com a presença do Reino Unido, Canadá, França, Itália, Alemanha, Japão e os EUA. A Rússia, que também fazia parte do grupo inicial, foi expulsa após a anexação da Crimeia em 2014.
A aposta do Governo francês é em “coligações de ações” onde os Governos conseguiam chegar a acordo e não necessariamente com todos os envolvidos. Caso não haja uma posição conjunta e se confirme que não há um comunicado comum, França, como anfitriã, tem a possibilidade de emitir um comunicado seu no final da reunião.
Pela cimeira deverão passar os temas da tributação dos gigantes digitais, em que atualmente existe divergência entre França e os EUA, assim como o Brexit, nesta que será a primeira reunião do G7 com Boris Johnson à frente do Reino Unido.
Este é mais um sinal da queda do multilateralismo que tem sofrido vários contratempos desde que Trump decidiu abandonar o acordo nuclear com o Irão ou sair do acordo internacional de Paris para o clima.
O objetivo dos encontros do G7 (ou G20) entre as potências mundiais era obrigar a negociação conjunta, principalmente para resolver temas que vão além das fronteiras dos países. O comunicado conjunto que era divulgado não tinha força de lei, mas era um símbolo da cooperação entre países.
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