“Reunir isto tudo numa só pasta – são, no fundo, várias pastas numa só pasta – penso que é imaginativo e é bom para nós”, afirmou o chefe de Estado, à saída de uma iniciativa no Museu da Presidência da República, em Lisboa.Em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa começou por referir que já “tinha uma ideia de qual seria a pasta” da comissária designada por Portugal – Coesão e Reformas – e considerou que “é uma pasta importante, por várias razões”. “A primeira, porque reúne a ideia de coesão, que nós defendemos desde sempre, mas em que éramos suspeitos de defender a pensar nos fundos. E, por isso, sempre se pensou que nunca viria parar a Portugal uma pasta que envolvesse fundos e coesão. Veio”, destacou. O Presidente da República salientou também o facto de a pasta atribuída a Elisa Ferreira envolver “uma ideia de sustentabilidade” e “a ideia de reformas estruturais”. “Há reformas estruturais que a União Europeia tem de fazer e é criada uma nova direção-geral para essas reformas estruturais. Portanto, não é a coesão só, tentar reequilibrar os que estão desfavorecidos na Europa, é o que é preciso fazer na Europa toda para ela ser no futuro menos desigual e mais capaz de enfrentar os grandes desafios científicos, tecnológicos da revolução digital”, acrescentou. Questionado sobre as críticas que têm como base o entendimento de que Portugal pode sair prejudicado em matéria de fundos estruturais por ter a pasta da coesão, Marcelo Rebelo de Sousa recusou envolver-se nesse debate: “Não vou agora entrar na polémica partidária, que é inevitável que exista em tempo eleitoral”. “Portanto, quem está mais próximo de certa posição defende uma coisa, quem está mais longe defende outra. Mas eu pus-me um bocadinho acima disso, da luta eleitoral, pus-me na posição de pensar para além de 06 de outubro”, declarou. O Presidente da República reiterou que “é importante que Portugal, finalmente, tenha um papel a desempenhar em matéria de coesão e de fundos” e que “isso seja ligado a uma ideia de sustentabilidade e a uma ideia de reformas estruturais” e elogiou Elisa Ferreira. “A comissária conhece muito bem o ambiente europeu, viveu lá muitos anos da sua vida, tem muito prestígio no meio europeu. Não é uma novata e tem uma rede de contactos e de influência. Isso vai ser importante para Portugal, mas vai ser importante para a Europa – se for bom para a Europa, também é bom para Portugal”, argumentou. Interrogado sobre a decisão da Autoridade da Concorrência de condenar 14 bancos ao pagamento de coimas no valor global de 225 milhões de euros por prática concertada de informação sensível no crédito à habitação entre 2002 e 2013, o chefe de Estado não quis fazer qualquer comentário. “Eu não me pronuncio sobre aquilo que é o exercício normal de funções de uma autoridade reguladora que é independente e, portanto, exerce com independência a sua função reguladora”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa. A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, divulgou na terça-feira a distribuição de pelouros da sua equipa. Os comissários designados serão sujeitos a audições no Parlamento Europeu, perante a comissão parlamentar competente, o que deverá acontecer no início de outubro, com a assembleia europeia a pronunciar-se sobre o colégio no seu conjunto numa votação prevista para 22 de outubro, em Estrasburgo. Elisa Ferreira, 63 anos, foi ministra dos governos chefiados por António Guterres, primeiro do Ambiente, entre 1995 e 1999, e depois do Planeamento, entre 1999 e 2002, foi eurodeputada entre 2004 e 2016, tendo ocupado desde setembro de 2017 o cargo de vice-governadora do Banco de Portugal. A futura comissária, a primeira mulher portuguesa a integrar o executivo comunitário desde a adesão de Portugal à comunidade europeia (1986), sucederá a Carlos Moedas, que foi comissário indicado pelo anterior governo PSD/CDS-PP, e que teve a seu cargo a pasta da Investigação, Ciência e Inovação e foi nomeado em novembro de 2014. 


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