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Moody’s não se pronuncia sobre Portugal, que continua um nível acima de lixo
A Moody’s optou, uma vez mais, por não se pronunciar sobre a dívida soberana de Portugal, que se manteve assim no último grau da categoria de investimento de qualidade (ou seja, um nível acima de “lixo”), em Baa3 – patamar conquistado em outubro de 2018, altura em que a República saiu do patamar de “junk”.
Já o “outlook” (perspetiva para a evolução da qualidade da dívida) permanece ‘positivo’, o que acontece desde agosto de 2019.
Desde então que se espera que a agência eleve a notação, já que é, de entre as quatro agências cujos “ratings” são aceites pelo BCE para avaliar a elegibilidade de uma dívida soberana para o seu programa de compra de ativos, a que atribui a nota mais baixa.
No ano passado, nas duas datas em que previu poder pronunciar-se sobre o “rating” de Portugal, em janeiro e julho, a Moody’s também optou por não o fazer: não procedeu a mexidas nem publicou relatório.
No mês passado, a Moody’s disse acreditar que Portugal tem potencial para rentabilizar os fundos recebidos da Europa e que será um dos países que vão beneficiar mais com estes programas. Uma visão mais otimista do que a revelada em novembro último, quando sinalizou que Portugal poderia ser um dos países do mundo onde se registaria maior destruição económica, no contexto da covid, devido à prevalência de pequenas e médias empresas.
A Moody’s, recorde-se, foi a primeira das três grandes agências a colocar Portugal no “lixo” e foi a última a retirá-lo desse patamar – em outubro de 2018. A Fitch e a S&P dão uma melhor classificação à República, com as notações em dois níveis acima de “lixo”, e a DBRS é a que atribui a melhor avaliação, no antepenúltimo nível da categoria de investimento de qualidade.
UE: Há dois países com pior nota que Portugal e dois com “rating” igual Dos 27 Estados-membros da União Europeia, a Moody’s atribui a apenas três uma perspetiva positiva: Portugal, Chipre e Hungria. No caso húngaro, a notação é igual à portuguesa, algo que também sucede com Itália (mas que tem “outlook” estável) e com a Roménia (com perspetiva negativa, ou seja, com probabilidades de descer para “junk”). Já a dívida soberana cipriota está no segundo nível de “lixo”. Na categoria de investimento especulativo está ainda a Grécia, no terceiro nível de “lixo”. E a Estónia é o país no qual a Moody’s não “mexe” há mais tempo: desde março 2010 que não altera “rating” nem “outlook” – ou seja, foi há 10 anos que procedeu a mudanças, ao manter a notação em A1 e elevar a perspetiva para estável (que estava sob vigilância negativa desde fevereiro de 2009).
