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Oposição sem chumbo – António Moita
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Esta greve atípica veio testar a solidez do governo, dos partidos que o apoiam e dos que se lhe opõem, dos sindicatos e dos patrões. Só governo e patrões, quem sabe se concertados, parecem saber o que querem. Tudo o resto andou a ver para onde é que a coisa iria. Senão vejamos.
Perante a firmeza do governo, os partidos à esquerda esqueceram-se da justa luta dos trabalhadores e assobiaram para o lado. Os partidos da direita viram o seu lugar de defensores do patronato ocupado pelo governo e ficaram sem saber o que dizer. Já bem em cima do acontecimento, uns e outros, percebendo que a opinião pública está toda do mesmo lado, surgiram vozes tímidas de apoio, ainda que com reservas, à posição do governo, algumas sugestões para alterar a lei dos serviços mínimos ou alguns alertas sobre a não violação das regras elementares do direito à greve.
Com os sindicatos a mesma coisa. As organizações sindicais, em especial a CGTP, abasteceram os seus carros com antecedência e foram de férias. Apesar de as estruturas em luta serem independentes das centrais, não é muito normal que não se assista a nenhum gesto solidário com aqueles que procuram melhores condições de trabalho.
É evidente que o governo se preparou bem e que os partidos foram apanhados desprevenidos. Se de um lado isto significa capacidade de previsão e de antecipação face aos acontecimentos, que é aliás o papel que cabe a quem governa, do outro lado revela uma ausência de preparação para lidar com situações semelhantes. E revela também uma grande hipocrisia. Em condições normais teríamos CDS e PSD ao lado do governo suportando todos os seus passos. E teríamos Bloco e PCP a apelar à moderação do governo e a valorizar os direitos dos trabalhadores contra a ganância dos patrões. Mas nada disto se passa. As eleições de outubro marcam o ritmo e o tom do discurso. À direita parece cair mal qualquer elogio a António Costa e ao seu governo. Já à esquerda se esquecem rapidamente os valores e os princípios quando a sua defesa poderia significar perda de votos.
Esta oposição sem chumbo ficou a marcar passo perante um governo claramente aditivado que volta após volta vai ganhando terreno a quem com ele é incapaz de competir. O problema é que até outubro podem não surgir novas oportunidades de afirmar diferenças ou de demonstrar capacidade e ambição para assumir a responsabilidade de governar. E normalmente o povo não troca o certo pelo incerto.
Jurista
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