A floresta é um tema recorrente nas notícias durante o verão – testemunhámo-lo de novo nos últimos meses. Na grande maioria das vezes, merece destaque pela pior razão possível, os incêndios.O que é que determina que o principal uso do solo nacional (falar de floresta é falar de 36% da área de Portugal) ocupe tão pouco espaço público – especialmente no que toca à ação – durante o ano inteiro? Todos – autoridades, empresas e cidadãos – temos responsabilidades a assumir. A floresta é o maior capital natural que temos. Os números são expressivos. Só a fileira do pinho, que ocupa 22% da área florestal do país, representa 3,2% do total das exportações de bens – €1.890 milhões – e assegura mais de 54 mil postos de trabalho diretos, sobretudo em zonas com maior risco de desertificação.  Para além disso, o pinheiro-bravo continua a ser a espécie com maior valor de carbono total armazenado na floresta portuguesa, mesmo apesar de a área florestal ocupada por esta espécie não parar de diminuir (entre 2005 e 2015, assistimos a uma redução de 11%). Ou seja: é um recurso económico pleno de potencial, com um enorme efeito multiplicador, e um trunfo de que dispomos neste cenário de emergência climática. Senão, vejamos, para dar apenas um exemplo: cada metro cúbico de madeira retém 900 kg de dióxido de carbono (CO2). Aumentar as florestas significa retirar CO2 da atmosfera e armazena-lo na madeira. Não temos tempo a perder.  O pleno aproveitamento da capacidade da floresta portuguesa, no quadro de uma bioeconomia circular e sustentável, é uma oportunidade extraordinária para a substituição de um número crescente de produtos fabricados a partir de matérias-primas não renováveis por produtos feitos a partir de madeira. A madeira, enquanto material de base endógena, renovável, reutilizável e reciclável, pode ser o substituto natural de produtos como o aço, o cimento, o petróleo, o plástico ou os têxteis, apresentando uma infinidade de soluções para inúmeras aplicações. Urge, nomeadamente, adotar políticas públicas que incentivem o uso da madeira no setor da construção, contribuindo também para o desenvolvimento da cadeia de valor florestal. Uma efetiva redução da intensidade carbónica do parque de edifícios só será atingida com uma elevada incorporação de produtos de madeira na construção, uma vez que estes apresentam diversas vantagens ao nível da eficiência energética dos espaços e têm um efeito positivo no aquecimento global, dado que ajudam a mitigar as emissões de CO2. Acresce que, no final da sua vida útil, podem ser reciclados e transformados em novos produtos, reentrando, assim, num ciclo contínuo de reciclagem. O potencial de desenvolvimento da cadeia de valor florestal é tão elevado quanto a urgência da ação: se não for bem gerida, a floresta não dura para sempre e cada dia se torna mais evidente que as alterações climáticas não são ficção. Presidente executivo, Sonae Arauco 


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