Dez anos depois da última grande intervenção, que ampliou o espaço para 28 mil metros quadrados de área bruta alocável, o Vila do Conde Fashion Outlet, construído em 2004, vai entrar em obras de remodelação a partir de setembro, num investimento que ascende a 13 milhões de euros.

“É um claro sinal da aposta do grupo Via Outlets no mercado português, que tem um grande potencial de crescimento”, sublinhou o diretor ibérico, Nuno Oliveira, lembrando que esta sociedade detém também o Freeport de Alcochete, onde completou em novembro de 2017 um investimento mais caro e profundo (envolveu demolições e reconstrução), a rondar os 20 milhões de euros.

 

O gestor detalhou que os objetivos deste investimento passam por “elevar a experiência de compra”, aumentar a duração média da visita – atualmente é de duas horas, enquanto nos outlets europeus de maior sucesso nunca é inferior a 3 horas –; e apostar na sustentabilidade, dando o exemplo de novas zonas de gestão de resíduos, equipamentos com consumos energéticos mais baixos ou a instalação de um sistema de ar condicionado mais eficiente.

 

Numa apresentação à imprensa, no Porto, Nuno Oliveira estimou a conclusão dos trabalhos em setembro de 2020, garantindo que as obras vão decorrer apenas durante a noite e “não haverá necessidade de encerrar em qualquer dia” este centro onde trabalham 1.900 pessoas. Admite que “a experiência não será a mesma”, mas recorre ao exemplo de outros outlets, incluindo o de Alcochete, para perspetivar que “não haverá uma quebra de visitantes nem de compras” nestes 12 meses.

 

É um claro sinal da aposta do grupo Via Outlets no mercado português, que tem um grande potencial de crescimento. Nuno Oliveira, diretor da Via Outlets Iberia

 

O projeto está a cargo do estúdio de arquitetura L35, que tem escritórios em Barcelona, Madrid ou Paris, e que ainda recentemente ganhou o concurso para a remodelação do estádio Santiago Barnabéu, onde joga o Real Madrid. Javier Framis, sócio e diretor, antecipou que a nova decoração terá elementos e tonalidades “identificadoras” da região, como a ligação ao mar ou as rendas de bilros, embora com uma “interpretação contemporânea”.

 

Constituído em 2013 para o mercado europeu com o plano de adquirir outlets já existentes, o Via Outlets é um fundo que tem como principais investidores a gestora de ativos britânica Hammerson e a APG, uma sociedade holandesa gestora de fundos de pensões, apresentada como um dos maiores investidores mundiais no setor do imobiliário. Em cinco anos conseguiu a propriedade e gestão de 11 centros deste género em nove países. Em Portugal começou por adquirir o Freeport em 2014 e comprou a unidade nortenha à espanhola Neinver em março de 2017.

 

O mais visitado procura mais euros dos turistas

 

Com 126 lojas e uma taxa de ocupação a rondar os 93% – “nunca será de 100% pela aposta constante na renovação comercial, que implica ter sempre lojas vazias para ocupação temporária”, explicou o diretor ibérico –, o Vila do Conde Fashion Outlet recebeu cerca de cinco milhões de visitantes em 2018, liderando o portefólio do grupo neste indicador.

 

No primeiro semestre deste ano, as vendas cresceram 8% e a afluência de visitantes aumentou 3%, em termos homólogos, o que leva Nuno Oliveira a destacar o aumento do gasto médio por visitante. “Não é fácil nem o melhor caminho crescer significativamente o número de visitas. Queremos fazer com que uma fatia maior do montante que é gasto em shoppings seja feito nos nossos centros. Daí a importância deste projeto de elevação da experiência de compra” com o investimento anunciado, completou.

 

Um dos segmentos de maior aposta com este investimento em Vila do Conde será o turístico, que atualmente representa apenas 2% a 3% das vendas totais. Neste particular, o grupo quer aproveitar a experiência de trabalho com este público adquirida em Alcochete, nas imediações de Lisboa, em que os turistas já valem cerca de 20% das compras que ali são efetuadas.

“Resultados motivantes” em Alcochete

Além do investimento na aquisição, um ano depois da constituição do fundo, a Via Oulets aplicou depois 20 milhões de euros na remodelação do Freeport de Alcochete, que arrancou em 2016 e foi concluída em novembro de 2017. O diretor do grupo para a Península Ibérica, Nuno Oliveira, fala em “resultados bastante motivantes”. Depois do crescimento homólogo das vendas em 2018, no primeiro ano depois dessa intervenção de fundo, no final do primeiro semestre de 2019 o grupo voltou a registar uma subida de 25% nas receitas dos operadores ali instalados, sem detalhar valores. No que toca aos visitantes, o aumento nos primeiros seis meses do ano foi de 15%.O





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