No final das jornadas parlamentares do grupo do Partido Popular Europeu, que decorreram em San Sebastián (Espanha), o líder da bancada, Manfred Weber, e candidato eleito pela sua família política (‘spitzenkandidat’) para o cargo de presidente da Comissão Europeia, recebeu uma espécie de passagem de testemunho da parte de Juncker.

“Quero explicar que estou fortemente empenhado em ter Manfred Weber como presidente da Comissão Europeia. Isto parece normal, mas nada é normal nas famílias políticas. Eu quero que ele se torne o próximo presidente da Comissão”, reforçou Juncker, que ocupou o cargo nos últimos cinco anos.

 

Questionado se, perante as reticências das outras famílias políticas, o PPE poderá ter de apoiar ou aceitar outro presidente da Comissão Europeia, o antigo primeiro-ministro do Luxemburgo respondeu categoricamente.

 

“Não há plano B, nem sequer há plano A, há uma decisão”, afirmou, considerando que o grupo do PPE “não está a apoiar qualquer candidato, está a apoiar unanimemente Manfred Weber.

 

Juncker deixou uma palavra de agradecimento aos eurodeputados que agora deixam o Parlamento Europeu e boas-vindas aos recém-chegados.

 

“Tenho muitas razões para estar grato, foi um momento muito emotivo”, admitiu o presidente da Comissão Europeia.

 

Também o alemão Manfred Weber deixou elogios a Juncker, considerando que a história dos últimos anos foi “um grande registo de sucessos na União Europeia”.

 

Em particular, o líder parlamentar do PPE comparou a situação económica “muito difícil” de há cinco anos com a atual, em que “há mais gente do que nunca a ter emprego na União Europeia”.

 

Por outro lado, Weber destacou a capacidade de Juncker de juntar “diferentes países e diferentes famílias políticas” e deixou o seu desejo se lhe vier a suceder: “Manter a Europa junta”.

 

De acordo com fontes do grupo do PPE, há a convicção de que, como vencedor das últimas eleições europeias, o partido deve ter direito ao cargo máximo da União Europeia.

 

As mesmas fontes salientam que, sem o PPE, não há uma maioria qualificada nem no Conselho Europeu, nem no Parlamento, considerando já um “ponto de partida” para o compromisso que esta família política apenas pretenda o lugar da presidência da Comissão Europeia, ficando os restantes altos cargos europeus para serem negociados entre as restantes maiores famílias políticas (socialistas e liberais).

 

Sobre a oposição de mais de uma dezena de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), entre os quais o primeiro-ministro português, António Costa, à nomeação do alemão para a presidência da Comissão Europeia por falta de experiência executiva, as fontes do grupo do Partido Popular Europeu contrapõem que a exigência de tais critérios é até “pouco democrática” e não é utilizada em cargos nacionais.

 

Por outro lado, sublinham, Weber é líder parlamentar da “maior família política europeia”, o que representa outro tipo de experiência.

 

Quanto ao jantar da passada sexta-feira, que juntou seis primeiros-ministros em Bruxelas, incluindo António Costa, é encarado pelo grupo do PPE como “uma troca de ideias”, dando-se maior relevo ao périplo que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, tem feito por vários países, no qual já passou por Portugal.

 

Se Manfred Weber for o próximo presidente da Comissão Europeia, esta será a primeira vez que um membro eleito do Parlamento Europeu ocupará este cargo, destacam ainda.

 

As negociações para a escolha dos cargos institucionais de topo da UE incluem as presidências do Parlamento, Comissão e Conselho, o cargo de Alto Representante para Política Externa e a liderança do Banco Central Europeu (BCE).

 

O Conselho Europeu, presidido por Donald Tusk, deverá tomar uma decisão final na cimeira de 20 e 21 de junho, podendo o futuro ou futura presidente da Comissão ser eleito pelo Parlamento Europeu no mês seguinte.





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