Os futuros da prata para entrega em setembro, negociados em Nova Iorque, seguem a subir 2% e já tocaram nos 25 dólares por onça (cada onça corresponde a 31,103481 gramas), o valor mais elevado desde 2013. Isto depois de terem já disparado 7% na sessão regular de segunda-feira.
 

No mercado spot, em Londres, o metal precioso soma 0,4% para 24,68 dólares por onça.

 
Os máximos históricos da prata foram atingidos em 1980, com o metal a tocar num recorde de 50,35 dólares por onça na negociação intradiária do Comex (Nova Iorque) a 18 de janeiro, e com o fix em Londres a estabelecer o seu máximo de sempre também nesse dia, nos 49,45 dólares.
 

Só em 2011 voltaram a rondar estes valores, apesar de não terem chegado a superá-los. Era também nesse ano que estava fixado o recorde do ouro, que foi nesta segunda-feira suplantado, com o metal amarelo a atingir um máximo de 1.945,26 dólares por onça no mercado spot em Londres – e a fixar, nos EUA, um recorde nos 1.941,90 dólares.
 
Os metais preciosos têm sido tradicionalmente, considerados bons valores-refúgio em períodos de instabilidade económica. Quando a nota verde desvaloriza, que é o que tem estado a acontecer, estes metais ficam ainda mais atrativos para os investidores que não têm no dólar a sua moeda de base.
 
A prata detida pelos Exchange-Traded Funds (ETF) está em máximos históricos. Os ETF, recorde-se, são produtos negociados em bolsa, cujo principal objectivo é replicar o desempenho de um determinado índice, commodity ou cabaz de ativos, sendo negociados no mercado tal como uma acção. O objectivo é que o retorno do produto seja o mais próximo possível do mercado que o ETF pretende seguir.
 
A prata, conhecida como a irmã feia do ouro – talvez por não ser tão esteticamente atractiva, segundo os analistas do The Outsider Club – é uma alternativa mais barata do que o ouro para quem queira uma exposição nos metais preciosos, o que tem ajudado a catapultar o seu preço.
 
Também os receios de uma queda da oferta da prata têm estado a estimular as cotações do metal.
 
Por outro lado, o aumento dos gastos orçamentais dos governos, numa altura em que proliferam os estímulos às economias para conter o impacto da pandemia de covid-19, pode impulsionar a procura industrial, o que beneficia mais a prata – usada em painéis solares e outros produtos industriais – do que o ouro.
 
Ao contrário do ouro, 85% da procura pela prata provém do ramo industrial, além de que o metal branco beneficia da maior procura por tecnologias menos poluentes. 
 
O uso da prata
 
Além da sua aplicação na joalharia e nos painéis solares, por exemplo, a prata tem muitos outros destinos.
 
O nitrato de prata é usado em fotografia (papel e película), xerografia, eletrodeposição química, em componentes de baterias e pilhas, na medicina e como catalisador. Os compostos orgânicos do elemento usam-se no revestimento de diversos metais e de barras de dinamite ou outros explosivos.Existem também ligas de prata usadas no fabrico de radiadores para a indústria automóvel e na produção de instrumentos musicais.
 
A indústria química utiliza a prata metálica como catalisador de diversas reacções, como a oxidação do etanol e de outro alcoóis.
 
A indústria petrolífera também usa o nitrato de prata como catalisador.
 
Entre outras utilizações, encontramos os espelhos, baterias, talheres, pilhas e vidro fotosensível.
 
A atratividade dos preciosos
 
Todos os metais preciosos têm características físicas bastante importantes, que os tornam indispensáveis à indústria moderna, como salienta o “site” “Library of Alexandria”.
 
A título de exemplo, saiba que um centímetro cúbico (cc) de paládio é capaz de absorver 900 cc de hidrogénio; a prata é o metal precioso com maiores capacidades de condução de electricidade; o ouro é o metal mais dúctil e um grama pode ser esticado ao longo de um fio com 2.300 metros de comprimento; o irídio é o mais resistente à corrosão e o ósmio é o mais pesado.
 
O grupo da platina, onde se inclui também o paládio e o ródio, é em geral o que contém os metais mais duros.


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