À esquerda e à direita, os candidatos presidenciais convergiram nas críticas à proximidade entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, com Tiago Mayan Gonçalves a comentar que “não se sabe onde acaba um e começa o outro”.A relação entre o atual chefe de Estado e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, o socialista António Costa, foi alvo de duras críticas durante o debate entre os sete candidatos a Belém, que decorreu na noite de terça-feira, no Pátio da Galé, em Lisboa.
Tiago Mayan Gonçalves, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, disse até que as diferenças entre as funções de Presidente e de primeiro-ministro estiveram diluídas nos últimos cinco anos.”Entre Marcelo e Costa já não se sabe onde acaba um e onde começa o outro. Sinceramente, esse é o meu ponto de vista. Marcelo Rebelo de Sousa, por uma opção pessoal de busca de popularidade, decidiu estar ao lado deste Governo, precisamente para colher os louros dessa popularidade”, defendeu o liberal. Vitorino Silva foi buscar o conhecido episódio da Autoeuropa para manifestar “a certeza” de que, se fosse chefe de Estado, “não dava confiança” a António Costa para sugerir a recandidatura do Presidente.”Pela minha cabeça ninguém fala e acho que Costa, na altura, não tinha procuração para falar por Marcelo, e a questão é que ele ficou meio engasgado”, prosseguiu o candidato que classificou a relação entre Presidente e chefe de Governo como “uma parceria” em que “às vezes” não se sabia “quem é que tinha a quota maioritária”.”Parceria” foi também a palavra utilizada por Marisa Matias para descrever uma relação que criou “bloqueios” para o desenvolvimento do país.”O nosso país precisa de alguém na Presidência que ajude a romper com esses bloqueios e a defender verdadeiramente a solução para os problemas estruturais”, defendeu a candidata bloquista.André Ventura, apoiado pelo Chega – partido do qual é presidente e deputado único no parlamento – colou esta relação a uma eventual necessidade de Marcelo de arrecadar o voto dos eleitores socialistas. “É o candidato do PS. É o candidato do Governo socialista”, considerou Ventura, apontando que Marcelo “nunca terá a coragem de enfrentar” António Costa.Marcelo participou virtualmente no debate por indicação das autoridades sanitárias depois de um resultado positivo à presença do SARS-CoV-2.João Ferreira centrou-se nos afetos que caracterizaram a postura presidencial nos últimos cinco anos para dizer que “são assim como a riqueza nacional”, e “estão muito mal distribuídos”. Ana Gomes considerou que ao Presidente da República cabe “ser o garante da estabilidade” do país e não “o garante da estabilidade do bloco central dos interesses que tem sido tão nefasto”. “Não é o Rei de Espanha, tem de cuidar de Portugal e dos portugueses. Tem de fazer a diferença”, vincou a antiga eurodeputada socialista.A candidata, apoiada pelo PAN e Livre, não tem dúvidas de que se Marcelo for reeleito vai abandonar esta postura com António Costa: “O seu segundo mandato seria muito diferente, ele iria trabalhar para trazer de volta a sua direita e a direita neoliberal.” Depois da chuva de críticas dos seis adversários, Marcelo Rebelo de Sousa disse entender “porque é que isso acontecia”.”Porque de alguma maneira, uns e outros queriam um Presidente mais alinhado à direita, ou mais alinhado à esquerda. Ora o papel do Presidente é ser um fator de integração, de unidade. A estabilidade está ligada ao compromisso”, salientou o atual chefe de Estado, garantindo que cumpriu os compromissos aos quais se propôs quando apresentou a primeira candidatura.Para Marcelo Rebelo de Sousa os portugueses perceberam, ao contrário do que apontaram os adversários, “que o Presidente não cria crise onde já há crise, não cria vazios onde não há alternativas”. “É evidente que quem busca a estabilidade e o compromisso é criticado inevitavelmente por um lado e por outro”, ponderou.


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